quinta-feira, 14 de julho de 2011

MOLÉCULA REPARA ENZIMA METABOLIZANTE DO ÁLCOOL


A aplicação da biotecnologia em laboratório levou à criação de um composto experimental que restaurou uma enzima digestiva alcoólica defeituosa. Esse problema afeta a saúde de aproximadamente 1 bilhão de pessoas no mundo, segundo uma pesquisa feita pelo NIAAA (National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism). Tais resultados sugerem a possibilidade de um tratamento para reduzir os problemas de saúde associados à deficiência dessa enzima.

Visitantes brindam na Oktoberfest em Munique; síndrome afeta 10% da população mundial e a deixa susceptível à intoxicação por álcool

"A descoberta intrigante pode ter amplas implicações na saúde pública," disse o Ph.D. Kenneth R. Warren, diretor interino da NIAAA. "Nós esperamos futuras pesquisas visando transformar essas descobertas laboratoriais em possíveis tratamentos para a população".

"Nós identificamos, recentemente, uma molécula chamada Alda-1 que ativa a enzima com defeito e, durante o estudo, determinamos como essa ativação é alcançada." disse o autor do estudo, Ph.D. Thomas D. Hurley.

Depois que o álcool é consumido, ele é metabolizado, ou "quebrado", em acetaldeídos, compostos tóxicos que causam danos ao DNA. O aldeído desidrogenase 2 (ADLH2) é a enzima principal responsável pela quebra do acetaldeído em acetato, um metabólito não tóxico para o corpo. Além disso, essa enzima também remove outros aldeídos tóxicos que podem ser acumulados no organismo.

Cerca de 40% da população da Ásia Oriental e muitos de seus descendentes carregam uma mutação gênica que produz uma forma inativa do ALDH2. Quando indivíduos com essa mutação ingerem álcool, acumula-se acetaldeído no organismo, resultando no enrubescimento da face, náusea e aceleração dos batimentos cardíacos. Além de sua relação com o aumento do risco de câncer, a forma inativa do ALDH2 reduz a eficácia da nitroglicerina, composto importante para o tratamento de angina de peito, uma dor no peito devido à falta de oxigênio no sangue que irriga o coração.

Desenho da estrutura molecular da enzima humana ALDH2, afetada por mutação em indivíduos com síndrome e feita incorretamente

Numa série de experimentos que examinaram a interação entre a Alda-1 e a enzima ALDH2 defeituosa, Dr. Hurley e seus colegas observaram que a Alda-1 restaurou a estrutura da enzima inativa. A forma normal e ativa da ALDH2 cria um túnel catalítico, ou seja, um espaço dentro dela no qual o acetaldeído é metabolizado. Na enzima defeituosa, o túnel não funciona adequadamente. A Alda-1 liga-se à enzima defeituosa de forma a abrir eficientemente o túnel catalítico e, assim, permite à enzima metabolizar acetaldeído.

"A maneira com que a Alda-1 se liga à estrutura de ALDH2 nos fornece uma introspecção poderosa nas relações entre ativadores e inibidores dessa enzima desintoxicante crucial," diz Dr. Hurley. "Essa introspecção nos guiará à modificação do Alda-1 para melhorar sua potência e também nos abre a possibilidade de concepção de novas formas análogas que podem afetar seletivamente o metabolismo de outras moléculas que são desintoxicadas pelo aldeído desidrogenase."




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