Mostrando postagens com marcador príon. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador príon. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Quando tomba o guardião

A palavra câncer se aplica a mais de uma centena de doenças – algumas que evoluem rapidamente, outras que só se manifestam depois de décadas; algumas altamente curáveis, outras incontornavelmente fatais –, todas com uma característica em comum: a proliferação desenfreada das células. Com base em resultados internacionais e dados obtidos em seu laboratório na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o bioquímico Jerson Lima da Silva formulou a hipótese de que ao menos parte dos casos de câncer seja desencadeada pelo mesmo mecanismo molecular que está por trás da doença de Creutzfeldt-Jakob, a versão humana do mal da vaca louca, que causa a morte celular precoce e deixa o cérebro poroso feito uma esponja. 

De acordo com essa visão, defendida por Silva e seus colaboradores em um artigo publicado em junho na Bioscience Reports, tanto no câncer, marcado pela perpetuação da vida das células, como na doença de Creutzfeldt-Jakob, em que a morte celular é antecipada, a origem do problema seria a mesma: o enovelamento anormal de uma proteína. Pode parecer uma causa sutil demais para estragos tão grandes. Mas, acreditam os pesquisadores, faz sentido. Afinal, é a estrutura tridimensional dessas moléculas grandes e complexas, fundamentais para definir a estrutura e o funcionamento das células, que determina o papel que vão desempenhar. Quando o enovelamento dá errado, as proteínas em geral deixam de funcionar como deveriam e até ganham funções extras. A diferença entre os casos de câncer e os de Creutzfeldt-Jakob estaria na proteína afetada.


Para continuar lendo clique aqui

domingo, 27 de maio de 2012

Entre a vaca louca e o Alzheimer

Pesquisadores do Brasil e do exterior buscam origem comum e formas de combater doenças neurodegenerativas. No Brasil, a bioquímica paulista Vilma Regina Martins passou os últimos 15 anos investigando o papel  desempenhado no organismo pela proteína príon celular, a versão saudável da proteína causadora do mal da vaca louca. Em parceria com equipes de vários estados brasileiros, verificou que o príon é fundamental para o desenvolvimento e amadurecimento de neurônios e para o equilíbrio do sistema de defesa (veja artigo referente aqui).

Agora ela e seus colaboradores hipotetizam que a interferência na PrPc, ou príon celular, pode ajudar a bloquear o desenvolvimento de outras enfermidades do sistema nervoso central, como o Alzheimer e o glioblastoma, o tumor cerebral mais agressivo que se conhece.

Experimentos feitos em células neuronais in vitro e in vivo (em animais) indicam que a alteração na quantidade de uma proteína que se liga à PrPc e a ativa impede a morte de neurônios, mesmo na presença de compostos tóxicos. Um fragmento dessa outra proteína também tem se mostrado eficiente em testes in vitro para parar a reprodução dos astrócitos, que se multiplicam descontroladamente, gerando o glioblastoma.

O controle da infecção da vaca louca nos diferentes ambientes se une a estudos sobre estruturas e a conversão do príon celular em príon infeccioso. Um exemplo são os estudos desenvolvidos na Universidade de Alberta que tenta identificar por que a proteína saudável se desenovela e assume outra estrutura, tóxica aos neurônios. No caso do príon, acredita-se que o simples contato com uma proteína alterada gere um príon defeituoso.

O príon pode estar relacionado também com outras doenças, como o mal de Parkinson e a esclerose lateral amiotrófica. Segundo a Vilma, parece haver um mecanismo comum por trás dessas enfermidades.

Ainda pode haver um outro elo entre o mal da vaca louca e a doença de Alzheimer. Neste caso clínico, a PrPc encontra-se saudável, ao contrário do caso da vaca louca - na qual os príons infectados, ao entrar em contato com os saudáveis, tornam-os defeituosos - porém o efeito protetor exercido por ela é bloqueado pelo oligômero beta-amiloide.

O artigo completo pode ser acessado clicando-se aqui.